Como a "geração sanduíche" vai bancar a conta de viver mais?

DEZ 16, 2021

Betani Lins - SEGS. Confira matéria original aqui.


Você já deve ter ouvido falar sobre a Revolução Prateada, uma nova realidade que envolve a longevidade e atinge cidadãos globais de todas as faixas etárias, especialmente, porque repercute em diferentes dimensões da vida – tanto no presente quanto no futuro. Da economia à cultura, nada escapa ao impacto da extensão da vida. No entanto, a despeito de comemorarmos essa imensa conquista humana, temos que abordar os aspectos práticos, ou seja, devemos abrir um diálogo franco sobre dinheiro.

Essa conversa passa por questionarmos como qual é o melhor futuro que podemos ter e como devemos nos preparar, financeiramente, para ele. Um dos estudos que coordenei em 2021 – FDC Longevidade Previdência – evidencia a necessidade de repensarmos a sociedade, os negócios e os nossos planos de vida à luz da longevidade. Esse mergulho especial proposto por essa análise setorial focada na previdência e em finanças endereça a grande dor do envelhecimento sem planejamento: a conta da aposentadoria não fecha. Precisamos falar sobre dinheiro, considerando a visão da maturidade para construirmos melhores futuros.

Um dos recortes desse mapeamento, desenvolvido pela Fundação Dom Cabral com o apoio técnico do Insights50+ (núcleo de pesquisa da Hype50+) e patrocínio da Brasilprev, aborda os desafios da Geração Sanduíche – que desempenha o triplo papel de filhos, pais e avós. Como filhos, eles precisam apoiar a geração anterior, ou seja, os pais idosos nos cuidados cotidianos; como pais e avós, dão suporte financeiro e emocional a duas gerações posteriores, na prática, aos seus descendentes que foram atingidos por uma crise financeira sem precedentes.

Essa Geração Sanduíche é formada por pessoas com idades entre 50 e 70 anos, bancando gastos que não imaginaram ter nessa idade. O plano de ter uma vida tranquila na aposentadoria foi atropelado pela longevidade dos pais e pela impossibilidade de os filhos e os netos arcarem com os custos de empreender a própria vida. A pesquisa Tsunami60+, conduzida pela Hype50+ e Pipe.Social em 2018, já mostrava que 38% dos brasileiros com mais de 55 anos têm os pais vivos; o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por sua vez, revela que, em 2016, 25,3% dos jovens, entre 25 e 34 anos, ainda viviam na casa dos pais. Esses números – anteriores ao agravamento da crise socioeconômica – apontam para uma estimativa do tamanho da geração sanduíche no Brasil.

No FDC Longevidade Previdência, destacamos quais são os grandes desafios para o equilíbrio desses brasileiros e mostramos que os millennials estão chegando à Geração Sanduíche – que passa a ser mais jovem, mais feminina e mais diversa. Trouxemos à cena o debate de como esse grupo vai equilibrar as finanças em um cenário de aposentadoria completamente diferente do vivido pela geração anterior. Ou seja, praticamente sem previdência e com um trabalho que se estende ao longo da vida e com características para além da carteira assinada.

Convido todos a acessarem, gratuitamente, esse estudo que oferece insumos para uma reflexão urgente sobre como pagar a conta da longevidade como indivíduos e como sociedade.

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