Divórcios prateados: um baque na situação financeira

FEV 13, 2022

Mariza Tavares - Bem Estar. Confira matéria original aqui.


Queda no padrão de vida chega a 45% para as mulheres, enquanto, entre os homens, essa variação fica em torno de 21%


Os chamados divórcios prateados, entre pessoas acima dos 50 anos, dobraram entre 1990 e 2010 nos Estados Unidos e respondem por uma em cada três separações naquele país. No Brasil, de acordo com o IBGE, a tendência é semelhante: em 2010, foram concedidos, em primeira instância, pouco mais de 42 mil divórcios no quais ambos os cônjuges tinham mais de 50 anos; em 2019, quase 72 mil! A professora de sociologia I-Fen Lin é autora de estudo, publicado no “The Journals of Gerontology, Series B: Psychological Sciences and Social Sciences”, mostrando que as mulheres enfrentam uma queda de 45% em seu padrão de vida, enquanto essa variação fica em torno de 21% para os homens. Depois dos 50, é mais complicado recuperar-se financeiramente: as chances são remotas para quem está fora do mercado e, mesmo quem está na ativa, poderá não dispor de tempo suficiente para juntar um pé de meia.


Divórcios prateados, entre pessoas acima dos 50 anos: queda no padrão de vida chega a 45% para as mulheres — Foto: Pasja1000 para Pixabay O casamento soma rendas, diminui despesas e contribui para atenuar acidentes de percurso, como a perda do emprego de um dos cônjuges. Um divórcio pode ser devastador para as finanças, mas o golpe é especialmente duro para as mulheres. Um novo relacionamento estável, nesses moldes, também é mais difícil para elas: apenas 22% nessa faixa etária arranjam um companheiro, ao passo que o percentual entre os homens chega a 37%. Que fique claro que não estou aconselhando ninguém a manter um casamento infeliz, e sim enfatizando como é importante garantir um mínimo de segurança econômica. Com frequência, quando toma a iniciativa da separação, a mulher se sente culpada e acaba não sendo assertiva na defesa de seus direitos.

A grande questão é que, apesar dos avanços nos campos de educação e emprego nas últimas décadas, as mulheres enfrentam uma estrada acidentada até uma aposentadoria segura. Os economistas criaram a expressão “penalidade da maternidade” para descrever a desigualdade salarial que afeta as mães: com frequência, sacrificam a carreira para criar os filhos, deixando de trabalhar por um período ou abrindo mão de posições mais bem remuneradas para ter tempo para as crianças. O resultado é que dificilmente conseguem recuperar a defasagem. Além disso, como sua expectativa de vida é maior, aumentam as chances de doenças crônicas, algum tipo de incapacidade e despesas não programadas com a saúde. Uma pesquisa recente da AARP, a associação de aposentados norte-americanos, mostrou que quase 30% das mulheres acima dos 65 anos se preocupam com sua situação financeira, enquanto o temor é compartilhado por 20% dos homens. Na faixa entre 50 e 64 anos, 49% delas relataram ter tomado decisões de impacto negativo em suas vidas, como deixar de pagar o plano de saúde e comprar medicamentos por causa dos custos; ou priorizar os cuidados com um ente querido em detrimento de si mesma. Entre os homens ouvidos, 44% admitiram desafios semelhantes.

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