Economia prateada!

FEV 325, 2022

José Anisio Pitico - Tribunal de Minas. Confira matéria original aqui.


O envelhecimento da população mundial, do nosso país e das nossas cidades não é uma projeção meramente estatística, demográfica, feita por estudiosos da matéria. É uma realidade. O mundo mudou. E uma das principais transformações é o envelhecimento populacional. Estamos e vamos viver mais. De início para esquentar a nossa conversa, cabe uma pergunta, caro/a leitor/a: estamos nos preparando para vivermos mais?


Temos feito algum planejamento para vivermos até 80 anos, 90, ou mais? Porque não começar agora. Hoje. O importante é começar. Começar e dar sequência. Como? Mudança de hábitos. Muitos desses hábitos já sabemos de cor e salteado, quais são, só que não mudamos. Eu reconheço o quanto que é difícil mudar. Mas é possível, sim. Enquanto temos tempo. Por isso, devemos começar o mais cedo possível.


Essa nova realidade de que estamos e vamos viver mais, vem trazendo e traz muitas alterações no cotidiano da nossa sociedade, comunidade e família. E obviamente, se faz necessário a criação de outras e mais relações do mercado com as pessoas idosas consumidoras de produtos, bens e serviços. Será que o mercado tá de olho – atende – ou vem se atentando para as necessidades de gastos da Terceira Idade, das pessoas idosas?. Segundo estudos especializados, temos 54 milhões de consumidores na faixa etária dos 50 anos e mais e esse número pode chegar a 90 milhões daqui há 20, 25 anos. É o que esses mesmos especialistas chamam a atenção da sociedade sobre a “economia da longevidade”. Ou economia prateada. Constituída por pessoas de cabelos brancos. É a força do poder grisalho que se avizinha, forte também para fazer a circulação do dinheiro. Diante dessa situação por que passa o nosso país, mesmo com toda a nossa miopia social, não fica difícil perceber o quanto que é necessário ter vários empreendimentos, por menores que sejam, pelas lacunas existentes de opções para a melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas. Só para exemplificar. O que temos de serviços de saúde, de lazer e de turismo para os consumidores e consumidoras maduros e maduras em nossa cidade? Sem citar outras áreas relacionadas ao seu bem-estar econômico, social e cultural.


Com o crescimento muito rápido da população idosa entre nós, fica evidente também, refletir sobre outra demanda que chega com essa nova perspectiva etária: o elenco de profissões que tem futuro no Brasil. Uma delas, é a geriatra(médico/a) e a gerontologia( aquele/a que estuda a velhice sob vários pontos de vista). O que também nos faz acreditar que com envelhecimento, por mais que ele seja negligenciado e escanteado na nossa cultura, ele está colocado. Sendo assim, acredito que há espaços para outras e tantas atividades profissionais para o atendimento ao público idoso. Desde alguém para realizar serviços domésticos, como trocar a lâmpada do quarto de dormir e da sala; como alguém, para auxiliar na hora das compras na quitanda do bairro. A pessoa idosa precisa de ajudantes para a realização de serviços mais simples e muito necessários, como outros, mais sofisticados e mais caros. O que os agentes do mercado, de um modo geral, precisam ter é o conhecimento sobre esse segmento muito importante da população: seus gostos, preferências, marcas e particularidades.


Mais uma demanda que o envelhecimento traz é a qualificação profissional para receber a pessoa idosa em sua busca por serviços de várias ordens. Precisamos conhecer e respeitar esse cliente, esse consumidor assim tratado na linguagem do mercado. E se o mundo, com certeza, está envelhecendo, como descartar esse consumidor? E certamente, para terminar, eu concluo que trabalhar para as pessoas maduras pode ser e é um bom negócio.

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