Especialistas debatem sobre depressão entre pessoas idosas em reunião virtual

AGO 13, 2021

Marco Calejo - Câmera Municipal de SP. Confira matéria original aqui.



Uma das pautas da Câmara Municipal de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (13/8), tratou do envelhecimento. De forma virtual, especialistas se reuniram para discutir a depressão em pessoas idosas. A iniciativa do encontro foi da vereadora Cris Monteiro (NOVO) em parceria com o OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento).


Com o tema “Depressão em Pessoas Idosas: Tem Jeito?”, a parlamentar abriu os trabalhos da reunião, saudou os convidados e relatou experiências pessoais com a doença. “Muito jovem, eu tive dois episódios importantes de depressão. Um bem grave, quando eu tinha uns trinta e poucos anos, e o outro mais adiante. No primeiro eu perdi 15 quilos, não saía da cama, não queria tomar banho. Ou seja, eu sei muito bem o que é ter depressão. Não queria nunca experimentar o que eu experimentei entre 35 e 40 anos, mais velha”.


Mediadora do debate

Para mediar o debate foi convidada a médica Marilia Berzins, especialista em Gerontologia e presidente do OLHE. Ao ser apresentada, ela considerou o tema da reunião de “extrema relevância e importância quando falamos de envelhecimento, velhice e longevidade”.


Após as considerações iniciais, Marilia Berzins destacou que a depressão atinge “significativamente as pessoas idosas”, trazendo consequências para si, à família do paciente e para a sociedade. “Nós sabemos que são vários os fatores que podem desencadear a depressão. Por exemplo, fatores biológicos, psicológicos, sociais, além é claro de afetar a qualidade de vida das pessoas que sofrem desta doença”.


Sintomas

Também participou do encontro a médica psiquiatra Ana Balzer. Ela falou sobre os sintomas da depressão e explicou a diferença entre a doença e as emoções negativas.


“A grande diferença da depressão para uma tristeza é a intensidade desses sintomas e o quanto esses sintomas vão impactar na nossa vida. Perda de peso é um dos sintomas, a acentuada diminuição de interesse, humor deprimido ou triste. Além do humor deprimido, e isso principalmente em homens, uma irritabilidade, uma agitação ou falta de vontade de fazer as coisas”, disse Ana.


A médica psiquiatra descreveu ainda os sintomas cognitivos. “Pensamentos negativos, pensamentos de que as coisas não têm saída, falta de perspectivas e pode chegar a sintomas mais graves, inclusive pensamentos de morte e pensamento de suicídio, o que configura uma urgência”.


Dados

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, a depressão atinge 13% da população geral do Brasil. “Essa proporção aumentou na faixa etária dos 60 a 64 anos. Então, subiu para 14%. A proporção é sempre maior em mulheres”, completou Ana Balzer.


Envelhecimento

Outro convidado para falar de depressão em pessoas idosas, o psicólogo Carlos Lima abordou questões que envolvem mitos e preconceitos quando se trata da relação velhice e doença. “Não necessariamente a pessoa vai ficar doente ao envelhecer. Então, temos que combater que velhice é doença”.


Carlos Lima também trouxe para o debate o discurso preconceituoso de que “idoso não aprende e não se atualiza. Então, a pessoa começa a se sentir fora do mundo, fora da atualidade. E aí começa aquela fase ‘no meu tempo era assim, no meu tempo eu fazia’, como se o seu tempo não fosse hoje, como se não tivesse um espaço, um lugar para você hoje”.


Tratamento e dicas

Os especialistas orientam que ao perceber os sintomas da depressão, a pessoa deve procurar um profissional que cuida da saúde mental para realizar o tratamento correto.


A médica psiquiatra Ana Balzer ressaltou ainda que o melhor tratamento da doença é a prevenção. “Prevenir tendo uma boa rede de amigos, conseguindo fazer exercícios físicos, se possível fazer acompanhamento psicoterápico, principalmente em questão da resiliência mesmo, frente às dificuldades da vida”.


Carlos Lima também fez algumas considerações finais. “A depressão é uma doença invisível, não tem um exame que você faz e te mostre ‘olha está aqui o seu resultado e deu depressão’. Talvez, isso dificulte um pouco de as pessoas entenderem aquilo como doença e como se faz o tratamento”.


Íntegra da reunião

O debate sobre a depressão em pessoas idosas pode ser revisto na íntegra no canal do YouTube da Câmara Municipal de São Paulo.

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