Hábitos de namoro de idosos criam mercado para aplicativos e motéis

FEV 18, 2022

Dante Ferrasoli - Yahoo Finanças. Confira matéria original aqui.


Uma em cada três pessoas com mais de 50 anos já se inscreveu em plataformas ou aplicativos de namoro online. Destes, pouco mais da metade afirma ter encontrado um parceiro fixo.


Ainda, 72,8% afirmaram estar com a libido em dia, mas 38% disseram não fazer sexo. A pesquisa ouviu 580 pessoas e foi divulgada em 2021 pelo portal Cinza Poderoso, de conteúdo sobre envelhecimento.


Os dados foram apresentados em um curso da FGV sobre mercado da longevidade e jogaram luz sobre oportunidades de negócio. Serviços, como motéis (aonde 44% dos respondentes disseram levar seus parceiros para a primeira transa, segundo o levantamento) e sex shops podem pensar em estratégias e produtos para essa população.


De olho no mercado de relacionamentos de pessoas mais velhas, Airton Gontow, 60, fundou há quase dez anos o Coroa Metade, primeiro site e agora também aplicativo para pessoas com 40 anos ou mais buscarem parceiros.


"Surgiu a partir de uma dor minha, que tinha me separado aos 43 e vi todas as dificuldades que uma pessoa mais velha tem para conhecer gente nova", relembra Gontow.


Ele decidiu então fazer uma sondagem numa confraternização de antigos colegas e percebeu que 60% deles, todos com idades próximas à sua, eram divorciados ou viúvos, mas também exigentes. Queriam sair acompanhados de pessoas com idades e interesses semelhantes aos seus.


A plataforma funciona como outros aplicativos de paquera, mostrando pessoas que atendam as exigências selecionadas. "Nesses anos todos, sabemos de 104 casais que formamos", diz Gontow.


A plataforma tem cerca de 500 mil inscritos e possui versão gratuita, na qual o usuário não pode puxar conversa, mas apenas "curtir" outros perfis, e a paga, que, aí sim, permite. Os preços variam de R$ 21,65 a R$ 47,90 por mês, dependendo do tempo de assinatura escolhido.


O Coroa Metade não abre o faturamento ou a proporção dos inscritos que assinam o serviço. A cobrança mensal é a única forma de monetização.


A funcionária pública Sonia Sueli Diamante, 64, de Pindamonhangaba (no interior de SP), conheceu o marido, o comerciante Otacílio Diamante, 62, de Sumaré (também no interior paulista) na plataforma. Eles se casaram há dois anos.


Ela era viúva havia 16 anos, tempo durante o qual não teve outros relacionamentos, e resolveu optar por plataformas de namoro. Começou nos que não têm restrição de idade.

"Não deu certo. Geralmente as pessoas nesses mais populares querem sair, só ficar e ir a bares. Eu nunca gostei disso. Também tinha muito medo de golpes e achava que os mais jovens não se interessariam de verdade por mim", diz ela.


Sonia, que pagou a assinatura do Coroa Metade por um tempo, encontrou em Otacílio o que procurava: alguém da mesma faixa etária e doutrina evangélica que segue. O problema era a distância. Quase 200 km separam as cidades.


"Mas aí ele foi lá em Pindamonhangaba e deu certo. Nós namoramos durante um ano e depois casamos. Ele também era viúvo, e as famílias aceitaram numa boa", conta ela.

Segundo Mirian Goldenberg, antropóloga da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que estuda envelhecimento há décadas, quem quiser prover serviços ligados a relacionamentos para o público mais velho deve ter em mente que esses consumidores não são um grupo homogêneo.


"Dos 40 aos 50 anos eu percebo que as pessoas, especialmente as mulheres têm a expectativa de ter um parceiro, mas depois disso não", diz.


Após essa idade, isso não mais seria uma prioridade. "Elas pensam que já casaram antes, tiveram filhos e buscam viver suas vidas, serem livres. Se rolar parceiro, tudo bem, mas não estão desesperadas."


Os homens, porém, geralmente buscam a parceira até o fim da vida. "Mas não vejo eles procurando muito online, e sim, no mundo real. A pandemia pode ter mudado isso."

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