Idoso e o mercado de trabalho pós-Covid

OUT 02, 2021

Diário do Grande ABC. Confira matéria original aqui.


O mundo do trabalho vem passando por mudanças desde a Revolução Industrial. A globalização, a evolução e a modernidade da tecnologia fizeram com que mudanças ocorressem de forma tão rápida que o preparo das pessoas em várias áreas acabou não acompanhando esta velocidade.


Por esse motivo as empresas reestruturam a sua forma de contratação para não perder a sua competividade no mercado, passando a investir na atração e retenção dos jovens, com agilidade no aprendizado em novas tecnologias, idiomas, intercâmbios etc. Os processos de recrutamento e seleção dos candidatos passaram a ser ainda mais exigente.


Nesse movimento muitas empresas passaram a substituir funcionários de 45 a 50 anos por pessoas mais jovens. Quem nem ainda fazia parte da terceira idade passou a perder espaço e ter dificuldade de se recolocar no mercado de trabalho.


Este fato gerou nestes trabalhadores um processo de baixa autoestima, insegurança e falta de renda, levando-as a atuar na informalidade para sobreviver. Em se tratando de pessoas com 60+, o cenário ficou ainda mais difícil, já que não conseguiam demonstrar as suas competências e o seu valor para as organizações.


Ao olhar o cenário internacional, percebemos que os idosos, que vivem no Oriente, por exemplo, são uma referência para troca de experiências, tanto profissional quanto vida. Na União Europeia é comum pessoas ativas profissionalmente com mais de 65 anos.


Um estudo realizado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, disponível na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), constatou que o número de pessoas com mais de 65 anos que estão trabalhando com carteira assinada aumentou 43% entre 2013 e 2017, saindo de 484 mil para 649,4 mil.


As organizações passaram a considerar a contratação de um profissional maduro, valorizando uma experiência extensa, tanto pessoal como profissional. Pessoas com 60 anos ou mais não precisam abdicar de suas carreiras para se aventurarem em trabalhos informais. Aliás, muitas delas ainda estão aptas fisicamente e mentalmente para realizar um bom trabalho.


Agora as empresas olham positivamente para a convivência e troca de experiências entre idosos e jovens. Efetivamente, “os mais velhos” ensinam muito e ajudam no processo de amadurecimento profissional dos mais jovens.


Os idosos ou 60+, por já terem na bagagem vivências pessoais e profissionais, levam para as organizações um conjunto de atitudes, como sabedoria, alegria, gratidão, responsabilidade, adaptação e respeito às diferenças, que contribuem para uma crescimento e aprendizado dos mais jovens.

Lourdes Nogueira é psicóloga, mentora, terapeuta e professora da Estácio São Paulo.

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