Influenciadores acima de 50 anos: o que podemos aprender com eles e como impactam a sociedade?

MAR 08, 2022

Instituto de Longevidade MAG. Confira matéria original aqui.


Influenciadores são aqueles que produzem conteúdo na internet, trazendo diversos assuntos e sempre buscando promover influência e gerar relevância sobre o que divulgam. A prática, que se consolidou principalmente nas redes sociais, perpassa por diversos âmbitos. Muitos usam as plataformas digitais influenciando profissionalmente. Outros transformam as suas vidas em conteúdo, buscando conexão com os usuários. Este mercado amplo também oferece espaço para influenciadores acima de 50 anos.


De acordo com um artigo publicado em 2021 pela Betway Inside, a tarefa de “influenciar” não é nova. Ela nasceu em 1760, quando a Rainha Charlotte promoveu uma marca de porcelanas. Seria essa a primeira publicidade? Com o tempo, celebridades se tornaram garotos-propaganda e, com a amplitude da internet, qualquer um pode se tornar criador de conteúdo.


A mesma regra é válida para os influenciadores acima de 50 anos. Absolutamente qualquer um pode se tornar um influencer.


Uma pesquisa realizada pela Silver Makers, que faz parte do grupo Hype 50+, fez o levantamento de um mapa de influenciadores acima de 50 anos, identificando o comportamento desses produtores de conteúdo. Segundo o mapa, “depois de criar filhos, se aposentar e ganhar mais tempo, sobrou espaço para cultivar hobbies e paixões que antes ficavam esquecidos”.


A internet, com a atuação desses influenciadores, deixa de ser um espaço exclusivo dos Millennials (nascidos entre 1981 e 1995) e da Geração Z (nascidos a partir de 1995 até aproximadamente 2010).


Um retrato dos influenciadores acima de 50 anos no Brasil

No grupo de influenciadores acima de 50 anos no Brasil, o mapa indica que as mulheres se destacam. A rede mais usada, com 42%, é o Instagram. Além disso, 51% dos produtores de conteúdo têm entre 50 e 59 anos.


Ainda segundo a pesquisa, os assuntos produzidos pelos 50+ se enquadram em:

  • 18% - longevidade;

  • 15% - estilo de vida;

  • 12% - moda;

  • 11% - viagem;

  • 8% - saúde;

  • 7% - negócios;

  • 5% - lazer.

Estilo de vida e saúde, por exemplo, são os maiores focos de Adriana Miranda, uma influenciadora de 65 anos que fala principalmente sobre exercício físico e bem-estar.


Influenciando pelo exemplo

Adriana conta que trabalhou por 31 anos como procuradora do Estado. Quando se aposentou, há cerca de 12 anos, recebeu grande incentivo de suas filhas para começar a postar nas redes sociais. Chamada de “musa fitness aos 60 anos”, muitos queriam acompanhar a sua rotina e entender o que a fazia ser mais saudável. A internet foi uma forma de divulgar o seu estilo de vida como um exemplo de envelhecimento saudável.


“Muitas pessoas me perguntavam o que eu fazia. Minhas amigas pediam para eu dar dicas de como eu conseguia estar bem com a idade que eu tinha. Minhas filhas acharam que seria legal se eu começasse a ajudar as pessoas através de postagens”, conta Adriana.


Os conteúdos da influenciadora, que também foi colunista do Viva Bem UOL, foram além do universo sobre emagrecimento, exercícios e a idade. Ela começou a impactar positivamente diversas mulheres com problema de autoestima. Começando com poucas postagens no Facebook, migrando para o Instagram e crescendo aos poucos, ela passou a ter muitos seguidores.

“Eu comecei a ver que estava conseguindo motivar outras pessoas. Principalmente mulheres que já se achavam velhas ou com a autoestima baixa.”

Seu retorno? Muitas mensagens de seguidoras dizendo que, pelo exemplo de Adriana, estavam melhorando a autoestima, começando a fazer atividade física e se cuidando por causa de seu exemplo e sua motivação. “Isso, para mim, foi muito gratificante. Fico muito feliz de ver relato de pessoas que mudaram de vida”, completa Adriana.


Crédito: Arquivo pessoal Adriana Miranda


A vida de influenciadores acima de 50 anos também tem o seu preço

Mesmo com todo o impacto positivo que Adriana gera nas pessoas, ela reconhece que produzir conteúdo é um trabalho exigente. Algo que requer dedicação e tempo. Com um perfil de Instagram de cerca de 958 mil, ela conta que o tempo é o mais essencial.


Produzir um bom conteúdo, boas fotos, fazer vídeo, responder e dar atenção aos seguidores. Tudo pensado de forma a entregar o melhor possível. Mas ela destaca que, como hoje está aposentada, tem tempo para fazer essas atividades.


“Na época em que trabalhava, com certeza não conseguiria fazer esse trabalho”, pontua.

Adriana diz que seu perfil pode ser um exemplo para pessoas que buscam longevidade através da saúde e de exercícios. Mas também mostra outros pontos positivos da vida após aposentadoria, principalmente no que diz respeito à socialização.

“Eu procuro demonstrar no meu dia a dia o que faço para ter qualidade de vida através do lazer. Saio no final de semana, passeio, gosto de fazer atividades culturais, ir ao cinema, ao teatro. Claro que a pandemia dificultou isso e ficou mais difícil. Mas, tudo isso faz parte de um conjunto de fatores que faz ter uma boa qualidade de vida.”

Ela ainda conta que críticas sempre vão existir. Afinal, quando se está exposto nas redes sociais e na internet, isso é comum. Mas que é feliz ao ver que pode ajudar pessoas com o seu exemplo e seu conteúdo.


E como é o comportamento de consumo do público acima de 50 anos?

Os influenciadores acima de 50 anos passam uma mensagem importante: não há nada que te impeça de criar conteúdo. É possível ajudar diversas outras pessoas com dicas, humor, negócios. O que basta é sentir vontade e ter coragem de começar. Como Adriana mesmo disse, sempre haverá crítica. O que importa é a sua satisfação com o que produz.


Mas quem consome este conteúdo?

Segundo o Mapa dos Influenciadores Maduros, em parceria com a MindMiners, moda e beleza são os assuntos mais seguidos nas redes sociais. Como cuidar de pele madura, do cabelo, quais as tendências para o momento, por exemplo.


Os principais assuntos de interesse, de acordo com a pesquisa são:

  • 55% - Moda/beleza;

  • 51% - Comportamento/relações humanas;

  • 50% - Entretenimento e cultura;

  • 47% - Culinária e gastronomia;

  • 45% - Saúde e fitness.

Além disso, entre os entrevistados, 75% indicaram que descobriram um produto ou serviço por meio das redes sociais e já compraram por indicação de influenciadores . Ou seja, os produtores de conteúdo representam um negócio. Quando estes são influenciadores acima de 50 anos, aposentados e que usam as redes como uma extensão de sua vida, é possível ver esta atuação como uma oportunidade de renda extra.


Ainda há um longo caminho para que a monetização das redes sociais seja mais rentável para quem produz conteúdo. Principalmente quando o assunto se relaciona com pessoas 50+. Contudo, ver que influenciadores como Adriana e outros diversos estão ganhando cada vez mais espaço e visibilidade, sendo indiretamente um combate ao etarismo, é extremamente positivo para as conquistas dos 50+.


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