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Longevidade: é preciso mais literacia e “descentralizar a saúde”

JUN 02, 2022

André Rito - Expresso. Confira matéria original aqui.


Adelaide Belo, especialista de Medicina Interna, da Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano, e Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde e Professor Associado, da Escola Nacional de Saúde Pública, foram os protagonistas do painel "Como deve o sistema cuidar de nós?" José Fernandes


Para fazer face aos desafios do envelhecimento, os três oradores presentes no webtalk desta manhã têm uma opinião consensual: as autarquias e organizações locais serão decisivas para melhorar as condições de vida dos mais velhos

Foi o segundo webtalk do projeto do Expresso, em parceria com a Novartis e Fidelidade - Longevidade, Um novo desafio. Com a presença do ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes; Cristina Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde; e Adelaide Belo, especialista de Medicina Interna, da Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano, foram discutidos dois temas: "Como deve o sistema cuidar de nós?" e "Como devemos cuidar de nós próprios". Estas foram as principais conclusões.

Descentralizar Embora a longevidade tenha ficado fora do Plano de Recuperação e Resiliência, o Governo aprovou o documento “Estratégia para o Envelhecimento Saudável”. Para os oradores presentes no webtalk desta manhã, é fundamental descentralizar a saúde. Tal implica maior participação das autarquias e organizações locais no apoio aos mais idosos. “Temos de sair dos castelos, melhorar as competências locais. O futuro está na proximidade, no bairro, as pessoas tratam-se em casa. A casa é o epicentro da vida comunitária e familiar”, disse o ex-ministro da Saúde.

Educação É um dos pontos fundamentais no que respeita à literacia em saúde. Em Portugal, tal como em quase toda a Europa – exceção feita aos Países Baixos – o nível de conhecimento em saúde por parte dos utentes é baixo. Não compreender questões simples, como a dosagem de um medicamento, pode comprometer a saúde de um idoso. É por isso que Cristina Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, defende que a saúde deve ser ensinada desde cedo, nas escolas. E acrescenta: também os profissionais de saúde devem melhorar as questões relacionais com os doentes. Saber ouvir, ter uma linguagem clara, em vez do jargão técnico, ajuda os doentes a tomarem melhores decisões.

Moderado por Martim Silva, o debate contou com a presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, Cristina Vaz de Almeida - José FernandesModelo hospitalar

Em Portugal o Serviço Nacional de Saúde ainda está programado para a doença aguda, o que ajuda a perceber como as urgências estão tantas vezes sobrelotadas. Mas, num país cada vez mais envelhecido – somos o quarto da Europa com mais idosos – é preciso atuar na doença crónica, o que implicará uma reorganização profunda dos serviços de assistência médica. Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, acrescenta a necessidade de uma maior proximidade e sublinha a importância do sector social: “se as misericórdias deixassem hoje de trabalhar teríamos uma desgraça nacional”. Para a especialista de Medicina Interna, Adelaide Belo,da Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano, a solução não passa por “mais macas nas urgências” “A abordagem passa por retirar os doentes crónicos da urgência.”

Contacto humano A chegada à idade da reforma é frequentemente sinónimo do fim da vida social, da perda de amigos, de familiares, daquilo que Adalberto Campos Fernandes chama de “morte social”. “De repente uma pessoa passa a viver onze horas em frente a televisão”, disse o ex-ministro, lembrando que doenças como a depressão e a demência acontecem por falta de contacto humano. É preciso criar condições para que a morte social não seja uma inevitabilidade, quando chega o fim da vida ativa.

Recursos É uma realidade que deriva dos médicos formados nos anos 70 e que estão agora prestes a atingir a idade da reforma. Em Portugal, metade dos médicos especialistas tem mais de 61 anos. Adalberto Campos Fernandes afirma que esta é uma realidade conhecida de todos. O que há de novo, diz o ex-ministro, é “uma competição dos recursos pelo setor privado, e os médicos novos não têm a mesma visão dos mais antigos". “É o sistema que tem de se adaptar. Não sou adepto de medidas restritivas.

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