População vai viver até os 130 anos, diz pesquisa

JUL 29, 2021

Maia Fernanda Conti, do Jrnal A Tribuna - Tribuna Online. Confira matéria original aqui.


A pesquisa é da Universidade de Washington. O recorde é de uma francesa que morreu aos 122 anos


Por quanto tempo uma pessoa pode viver? A resposta da ciência nunca foi exata, mas uma recente pesquisa da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, sugere que nossa expectativa de vida pode chegar a 130 anos ainda neste século.


A professora aposentada Rosa Maria Gomes, 85, tem o hobby de cantar e tocar teclado, violão e até acordeon (Foto: Kadidja Fernandes/AT)


O estudo, publicado na revista Demographic Research (Pesquisa Demográfica), quis descobrir qual seria a maior expectativa de vida humana em qualquer lugar do mundo, até o final do século, em 2100. Após as análises, os pesquisadores avaliaram que um grupo até então pouco numeroso vai ganhar destaque: os “supercentenários” – isto é, pessoas que vivem acima dos 110 anos.


Nas próximas oito décadas, segundo os resultados, existe 99% de probabilidade de alguém viver até os 124 anos, e 68% até 127 anos. Para os pesquisadores, chegar aos 130 anos até será possível, mas apenas em casos raros, com uma probabilidade de 13%.


Diante disso, como também aponta a pesquisa, o recorde mundial de 122 anos – ocupado, até hoje, por uma francesa que morreu em 1997 – deve ser quebrado nos próximos anos.


A geriatra Waleska Binda explica que os avanços da Medicina, mais a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos podem fazer com que a “longevidade extrema” se torne cada vez mais comum.


“Há tecnologias que já conseguem apontar uma doença antes mesmo de ela surgir no paciente, além de medicamentos mais eficazes no mercado”, acredita.


Para o geriatra Roni Chaim Mukamal, é improvável que, por enquanto, tenhamos idosos em uma idade tão avançada, especialmente em países com altos índices de desigualdade social, como o Brasil.


“Viver na pobreza, perto da criminalidade e com falta de saneamento básico prejudica a longevidade. Precisamos melhorar a qualidade de vida da nossa população antes de projetar essa expansão das faixas etárias”, argumenta.


De acordo com a professora aposentada Rosa Maria Gomes, o “segredo” de viver muito é ser pró-ativo. Com um estilo bem-humorado, aos 85 anos, a idosa decidiu iniciar um novo hobby: cantar e tocar instrumentos musicais.


“Todos nós devemos arrumar um motivo para ser feliz, porque, depois de uma certa idade, a gente não pode desanimar. Se a gente parar, enferruja”, diz, entre risos.


Longe do estresse


Lydia Hand morreu em 2020 (Foto: Acervo pessoal)


Durante os últimos anos de vida da idosa Lydia Hand, que morreu em 2020, aos 102 anos, ela sempre fez questão de praticar exercícios físicos diariamente, além de ter uma alimentação saudável.


É o que garante o neto dela, Paulo Hand, de 46 anos, com quem morou na zona rural de Marechal Floriano, Região Serrana do Estado.


“Acredito que o fato de ela ter vivido no interior, longe do estresse das cidades grandes, também pode ter feito com que tenha tido uma vida mais longa”, ressaltou.


Bem-estar mental


Zeliete Laurino, de 85 anos (Foto: Acervo pessoal)


Em busca de uma boa qualidade de vida, a dona de casa Zeliete Laurindo, de 85 anos, aproveita o tempo livre para ler, escrever e aprender novas atividades, como crochê e artesanato.


Ela conta que, antes da pandemia, ainda fazia aulas de danças e viajava o País com uma banda de congo. Mesmo com a idade avançada, Zeliete garante que não falta disposição.


“Quero viver muitos anos ainda, e sei que isso depende muito do meu bem-estar mental. Por isso, faço questão de estar ativa”, relata.


Saiba mais


O que diz a pesquisa


Origem


Feito por pesquisadores da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, o estudo foi publicado na revista científica Demographic Research, no mês passado.

A pesquisa quis avaliar qual seria a maior expectativa de vida humana em qualquer lugar do mundo, até o final do século, em 2100.

Quem comandou o estudo foi o pesquisador e professor de estatística da instituição Michael Pearce.


Resultados


Após as análises, foi observado que o número de pessoas que vivem mais de 100 anos cresce há décadas. Existem, hoje, mais de 50 mil centenários, o que já é considerado a maior incidência de casos da história. No entanto, até o fim do século, em 2100, esse índice deve crescer mais.


Um novo grupo, inclusive, deve ganhar destaque ao redor de todo o mundo: os “supercentenários”– isto é, pessoas que vivem acima dos 110 anos.


De acordo com a pesquisa, existe 99% de probabilidade de alguém viver até 124 anos, e 68% até 127 anos. Para os pesquisadores, chegar aos 130 anos é possível, mas muito menos provável, com uma probabilidade de 13%.


Além disso, os pesquisadores apontam que é “extremamente improvável” que alguém viva até 135 anos neste século.


Quem alcançar qualquer uma dessas idades vai bater o recorde de pessoa mais velha do mundo, até hoje ocupado por uma francesa, que morreu em 1997, aos 122 anos.


Opiniões de médicos


Os especialistas na saúde de idosos defendem que os avanços da Medicina, junto aos cuidados com a própria saúde, podem fazer com que a longevidade extrema se torne cada vez mais comum.


Ocorre, porém, que a longevidade é impactada de acordo com a definição de políticas governamentais e econômicas, bem como ao acesso das pessoas ao saneamento básico, entre outros.


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