Pró Idade: mitos e preconceitos sobre a velhice que devem ser deixados pra lá

MAI 02, 2022

Redação - Hypeness. Confira matéria original aqui.


Será que a sociedade atual enxerga o processo de envelhecimento como ele de fato é? Será que a cultura olha para a população mais velha com verdadeiro interesse? Ou será que, de modo geral, reproduzimos preconceitos e noções enganosas sobre quem tem mais de 60, 70, 80 ou 90 anos? Em resumo, será que vivemos hoje em uma sociedade que pode ser chamada de “anti-idade”? A maior parte dessas perguntas pode parecer estranha ou mesmo enigmática para os leitores mais jovens, mas são fáceis de responder para todo mundo que faz parte desse recorte social: sim, a sociedade atual é anti-idade de modo geral.


Anti-idade: o envelhecimento é tratado socialmente de forma preconceituosa e estereotipada


Mas o que isso quer dizer? O ponto de partida para o conceito de “anti-idade”, se baseia na promessa dos cremes e cosméticos oferecidos para “combater” os efeitos da passagem de tempo: uma sociedade anti-idade é aquela que reproduz mitos, inverdades e generalizações a respeito de como é a vida, o temperamento, os hábitos, a saúde e os desejos das pessoas mais velhas – como se todas essas pessoas, inclusive, fossem iguais. O “etarismo” ou a discriminação contra essa população, tal qual todo preconceito, é baseado em medos, invenções e conclusões muitas vezes equivocadas sobre o envelhecimento.


E como o primeiro passo para combater um preconceito é conhecê-lo, vale lembrar quais são alguns dos mais recorrentes e populares mitos sobre o processo de envelhecimento e sobre os idosos – para, assim, renunciarmos às noções “anti-idade” e nós tornarmos finalmente “Pró Idade”. Da mesma forma, é fundamental olharmos de frente para as tantas possibilidades que definem a verdadeira vida de quem, ainda bem, envelheceu – e segue envelhecendo, como todo mundo que simplesmente está vivo: envelhecer é, portanto, uma ótima notícia. Mas quais são alguns desses principais mitos?


Pessoas mais velhas mudam hábitos

Esse é o ponto de partida de muitos preconceitos dentro do tema: a ideia de que é impossível alterar a vida com a idade avançada. A verdade, porém, é que não só é possível como é recomendado mudar, e nunca é tarde para transformar hábitos nocivos – como parar de fumar, de beber, mudar a alimentação, começar a praticar exercícios, e tantas mais novidades para que justamente o futuro seja mais longo e melhor em qualquer idade.


Velhice não é sinal de que a vida não pode mudar – de que não pode melhorar

E aprendem coisas novas o tempo todo

Essa ideia também se baseia, direta ou indiretamente, em outros etarismos que não podiam estar mais enganados. É sempre tempo de se atualizar em todos os sentidos – seja no gosto musical, seja nos estudos e mesmo trabalhos: a população mais velha é parte do mercado e possui capacidades iguais, de modo geral, às mais jovens, com a vantagem de possuir conhecimento vasto e muita experiência.


É sempre tempo de aprender e se atualizar – seja a idade qual for Idosos não perdem a personalidade

Trata-se daquela ideia errônea de que os mais velhos se tornam como crianças (o que revela dois preconceitos: contra idosos e contra crianças), e diluem a própria personalidade conforme o tempo avança. É evidente, porém, que cada pessoa é singular em sua personalidade, e plural em suas preferências, gostos, estilos – incluindo, por exemplo, a forma de se vestir, de pensar, de agir. Ninguém deixa de ser quem é porque o tempo passou, e cada pessoa é um mundo, tenha a idade que for.


Os gostos, hábitos e características de cada pessoa permanecem com o avanço da idade


E fazem sexo

Esse é um dos mitos mais comuns – e que mais devem ser combatidos. O sexo é uma fonte de alegria, de prazer, de encontro e de saúde, e que não tem vencimento nem prazo de validade, e pode e deve ser praticado pela vida toda. As pessoas mais saudáveis são as que exploram a própria sexualidade de forma livre e liberta, inclusive dos preconceitos de idade.


A duração da vida sexual ativa pode ser a mesma que a duração da própria vida


Velhice não é sinônimo de tristeza

A imagem de pessoas tristes e solitárias, alienadas da realidade, sem companhia nem alegria não poderia ser mais incorreta e inverossímil sobre a velhice e suas possibilidades. Assim como em outras idades da vida, a velhice pode ser cheia de diversão, encontros, amizades, amores, gargalhadas e prazeres de todo tipo – simplesmente como mais uma parte feliz da vida.


É sempre tempo de rir e se divertir – da infância até a velhice


E nem sinônimo de doença

Esse talvez seja o mito mais comum, sugerindo que toda pessoa mais velha irá sentir dor, ter dificuldades motoras, perda de memória e estar sempre à beira de uma doença grave. Resumindo todos os pontos em um só, é possível, recomendável e desejável que a velhice seja uma fase saudável da vida – e sem sintomas ou sofrimentos desnecessários. Praticar exercícios, se alimentar direito, mudar os hábitos nocivos, fazer sexo, se divertir, estudar e ser quem se é são o caminho para uma velhice sem dores emocionais ou físicas: uma velhice “pró idade”.


O fato do tempo transformar o corpo não quer dizer que a velhice necessariamente nos adoeça


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