Ter uma vida satisfatória na velhice

MAI 02, 2022

Juraciara Vieira Cardoso e José Milton Cardoso - Estado de Minas. Confira matéria original aqui.


A idade não traz limitações ao idoso. Desde que ele tenha independência para tomar decisões e autonomia, cabe a todos nós estimulá-lo a manter-se ativo


(foto: Pixabay)


O envelhecimento da população mundial, como várias vezes já citamos nesta coluna, é indiscutivelmente uma grande conquista da humanidade. Originado na melhoria dos cuidados de saúde, no uso de antibióticos, vacinas, avanço nos procedimentos diagnósticos e nas modalidades terapêuticas, associados à redução expressiva e quase em nível mundial do número de filhos gerados por uma mulher, o mundo está ficando casa vez mais grisalho. Gosto dessa palavra pois os cabelos podem branquear, mas em muitos casos mantém-se a vitalidade, o gosto pela vida, os objetivos e metas ainda a serem alcançados e motivos para manter-se vivo, mas não só isso. Manter-se bem. Várias situações podem abalar e amedrontar o processo de envelhecimento, como as dificuldades com a saúde, a perda de entes queridos, a redução, na maioria das vezes da renda e aumento das necessidades de consumo, como remédios, reabilitação, planos de saude, cuidadores e etc. Somam-se a isso o fato de que muitos amigos perecem ou se afastam, inclusive por motivos de saúde. Os filhos saem de casa e podem deixar o ninho vazio. E mesmo bem-intencionados, muuitos querem “gerenciar”a vida do idoso, retirando sua autonomia e independência, talvez em uma época que a manutenção de atividades seguras é o que vai prologar a vida com menor dependência de terceiros para manutenção das atividades básicas da vida diária, como alimentar-se, higienizar-se, locomover-se. Isso também traz prejuízo nas atividades instrumentais da vida diária, dificultando a direção veicular, lidar com as finanças e todas a letrinhas miúdas características dos contratos que assinamos, especialmente em instituições bancárias.

Em todas as fases da vida é importante que nos preocupemos com a qualidade de vida que aspiramos viver. Qualidade de vida não é, nem de longe, poder aquisitivo. Viver bem significa ter aprendido no decorrer da vida a ter menos pressa, ser mais compreensivo com as limitações das pessoas que nos cercam, acrescentar na sabedoria de vida e não no número de anos de estudo formal. Sabedoria se aprende no dia a dia. Na lida. Não em bancos de escola. Lá aprendemos que cultura não é sinônimo de sabedoria. O fundamental é buscar estar de bem consigo mesmo. Ter satisfação pessoal. Ter orgulho do que construiu e da vida que atualmente vivencia. Qualidade de vida é estar inserido em um grupo social, seja familiar ou de amigos, mas, no final das contas, sabedoria é saber reconhecer as coisas boas que recebemos da vida. Saber ter este reconhecimento, associado com resiliência, ou seja, a capacidade de aceitar as adversidades impostas pela vida é a busca da qualidade de vida na velhice.

Tentar viver bem, se relacionar com familiares e amigos. Reviver velhas amizades. Convidar para um café em que se tenha um papo alegre, descontraído, em que boas lembranças brotam na mente; momentos assim certamente equivalerão a meses de intervenção psicanalítica. Não é prosa somente a frase que “relembrar é viver”.

Apesar de muitas vezes o envelhecimento estar intrinsecamente ligado à solidão, tristeza e convivência com doenças, essas características podem e devem ser modificadas. Devemos ter isso como uma meta. Provavelmente conviver com pessoas, tentar atividades lúdicas e que nos afastem, mesmo que temporariamente, de momentos de tristeza e ficar somente pensando em doenças, devemos mesmo é ter planos para o dia de hoje e de amanhã. Que legal pensar no que fazer naquele dia, quando se acorda. Que legal planejar um final de semana perto de pessoas que a gente ama. Que legal fazer uma programação de férias. Essas sugestões, guardadas as devidas proporções em função das limitações individuais, podem ser atingidas em menor ou maior grau pela maioria dos idosos, sendo importante que o cuidador principal insista. Aqui, o difícil é começar. Depois de iniciado, o prazer emanado pelas atividades é tão grande que o próprio gerente irá se prontificar a realizá-las por várias vezes. Convivência social e atividades físicas, somadas com atividades intelectuais, permitem uma vida muito digna, satisfatória, saudável e principalmente feliz.

A idade, por si só, não traz limitações ao idoso. Desde que ele tenha independência para tomar suas decisões e autonomia para realizá-las, cabe a toda a sociedade estimulá-lo a manter-se ativo. Somente conseguimos manter nossa funcionalidade se a executamos com frequência.

Envelhecer leva a uma pressão emocional muito grande e temos de tentar desenvolver nossas atividades de maneira a manter a autonomia, porém sem sacrificar a segurança. Envolver-se emocionalmente, sexualmente, praticar esportes, iniciar dietas, relacionamentos, viagens e outras atividades exige cuidados, orientação, e principalmente evitando o risco de se envolver com pessoas de caráter duvidoso.

Muitos são os casos em que o idoso, um pouco mais fragilizado, cai em vários golpes de falsários e pessoas mal intencionadas. Eis os riscos de se expor. Porém, quando se tem o cuidado adequado, estes riscos são menores e o idoso consegue uma vida mais plena e satisfatória. Tentemos, em qualquer fase da vida, ser felizes e, se isso não for possível, que ao menos tenhamos paz de espírito para viver plenamente esta fase da vida. Que fique claro, o envelhecimento é uma etapa; nem pior e nem melhor que as outras fases da vida. É apenas diferente e que nos exige um pouco mais de atenção para então focarmos nos benefícios que esta fase de vida pode nos proporcionar. E para concluir: idosos são uma população muito heterogênea. Conheço muitos jovens aos 85 anos e muitos velhos aos 60 anos. Em qual destas classificações você gostaria de estar?

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