Todos ganham investindo nos mais velhos e no mercado sênior

MAR 20, 2022

Mariza Tavares- Bem Estar. Confira matéria original aqui.


Iniciativas de inclusão digital e empresas focadas na longevidade representam um grande filão.


O futuro não pode abrir mão da experiência e das habilidades dos mais velhos. Eles não só constituem um capital intelectual que não deve ser descartado, como também representam uma fatia expressiva de consumidores.


A importância do grupo sênior é tão grande que é possível mapear uma série de movimentos cujo objetivo é oferecer recursos para a população madura ter um leque de ferramentas para se integrar à sociedade. A associação dos aposentados norte-americanos (AARP), por exemplo, recebeu 10 milhões de dólares do Google para investir no treinamento digital de 25 mil pessoas 50 mais de baixa renda, com foco em mulheres e indivíduos que não sejam brancos. O objetivo é aumentar as chances de segurança financeira e conexões sociais desse contingente, o mais atingido por dificuldades durante a pandemia. O programa vai se estender por dois anos, em oito estados dos EUA, ensinando ferramentas para os aspirantes a empreendedores.

Iniciativas de inclusão digital e empresas focadas na longevidade representam um grande filão — Foto: Stevepb para Pixabay Criada pela bilionária Melinda French Gates, o programa Techstars Future of Longevity Accelerator é uma incubadora que investe em empresas voltadas para necessidades não atendidas de idosos e das pessoas responsáveis por eles. As áreas de atuação englobam, entre outras, viver com independência em casa durante a velhice; apoio aos cuidadores; bem-estar financeiro; e engajamento social. Esse é um mercado estimado em 390 bilhões de dólares que clama por inovação, já que os EUA têm 55 milhões de habitantes acima dos 65 anos e a previsão é de que, em 2031, o número tenha saltado para 74 milhões. O mais interessante da iniciativa é que 50% das startups beneficiadas são comandadas por mulheres 50 mais, mão de obra que também foi duramente atingida durante a pandemia.

O programa alavancou companhias como a Kimuni, que funciona como uma espécie de concièrge que agenda consultas ou outros compromissos, cuida das tarefas domésticas, faz a intermediação entre fornecedores de produtos e serviços; a Bright, que produz um aparelho que emite pulsos de luz numa frequência de 40Hz para melhorar a acuidade mental; a BetterColiving, que procura locatários para idosos que queiram alugar um quarto e ter uma renda extra; ou ainda a MyFitPod, que oferece aulas ao vivo e centenas de vídeos de exercícios que podem ser feitos a qualquer hora. No Brasil o ritmo é outro. O blog noticiou, em 2020, que seis negócios sociais voltados para a longevidade haviam sido selecionados para um programa de aceleração da Neo Acelera, pertencente à farmacêutica Neo Química. Em 2021, a Vitasay encabeçou ação semelhante. Levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontava que, no terceiro trimestre de 2020, havia 1.8 milhão de indivíduos acima dos 65 anos que eram donos de negócios. São os empreendedores que mais empregam no país mas, sem ações estruturadas, continuaremos a alimentar o preconceito contra a velhice e a cavar o fosso da desigualdade digital no Brasil. Para fechar com uma boa notícia: a Unidade de Inclusão Digital de Idosos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul está oferecendo um curso on-line grátis de empoderamento digital feminino na velhice. Ele acontece de 31 de março a 30 de junho e terá encontros semanais pelo Google Meet, sempre às quintas-feiras, das 10h às 11h. Para realizar o cadastro é preciso preencher o formulário neste link.

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